Sebastian Vettel venceu hoje em Spa Francorchamps, numa corrida que começou doida, com o desvario no arranque de Nico Hulkenberg que, no gancho de La Source, travou apenas na traseira de Fernando Alonso. O resultado da manobra irrefletida foi o caos no arranque e o fim de prova para Hulkenberg (Renault), Alonso (McLaren) e Charles Leclerc (Sauber).

Na frente, Sebastian Vettel pôde hoje em corrida concretizar o domínio que a Ferrari exerceu durante o fim de semana, exceção feita aos derradeiros cinco minutos do Q3 de ontem. O alemão ainda se deixou surpreender no arranque por Lewis Hamilton, mas na primeira vez que se travou para Les Combes, Vettel já impunha o Ferrari para curvar à frente. Daí até ao fim, o alemão liderou, para vencer de forma categórica e se colocar em posição privilegiada, a apenas 17 pontos de atraso de Hamilton, à entrada para o Grande Prémio mais ansiado pela Ferrari, aquele que se corre em Itália (Monza).

No final das 44 voltas ao circuito de Spa Francorchamps, Vettel acumulava 11s de vantagem para o campeão do mundo em título. Com a vitória de hoje, a 52ª na carreira em que foi ao pódio por 107 vezes, o alemão supera o histórico registo de Alain Prost.

Lewis Hamilton fez o que podia com um Mercedes que confirmou hoje em corrida não ter ‘gás’ para os carros da Ferrari, num traçado de pura performance como aquele em que se correu o Grande Prémio da Bélgica. Hamilton apenas se limitou a gerir para confirmar o segundo lugar que, em termos de campeonato até nem é um mau resultado, embora a sua vantagem tenha reduzido.

Max Verstappen

Max Verstappen esteve ao seu melhor nível hoje em Spa e foi justamente premiado com o derradeiro lugar do pódio. Com o seu Aston Martin Red Bull a nunca esconder falta de performance comparativamente com os Ferrari e Mercedes, o jovem holandês deu alegria à nação de fãs que invadiu a pista das Ardenas, nunca correndo riscos que perigassem um bom resultado, o 3º lugar.

Também com excelente desempenho na corrida de hoje, esteve Valtteri Bottas. O piloto da Mercedes havia sido forçado a sair da cauda do pelotão em virtude de uma penalização, por ter tido de substituir peças da unidade de potência do seu carro. Desde o arranque, o finlandês ‘cavalgou’ para uma notável recuperação que o levou ao 4º posto. Entre os inúmeros momentos espetaculares de condução com que brindou hoje o público em Spa (ao vivo e na TV), fica como ponto alto a brilhante ultrapassagem, por fora no Radillon, a Brendon Hartley (Scuderia Toro Rosso).

Sérgio Perez

E que dizer da nova estrutura que ontem brilhou na qualificação e hoje confirmou em corrida? A Racing Point Force India, assegurou a 5ª e 6ª posições, com Sérgio Perez a ser hoje mais forte que o seu companheiro de formação, Esteban Ocon. Na primeira volta, os dois carros cor de rosa ainda assustaram os líderes, discutindo a travagem para Les Combes, mas optaram por não ‘nadar fora de pé’, preocupando-se em assegurar uma boa posição no final da prova. É caso para dizer que a eficácia dos carros da equipa, que agora tem novos nome e dono, foi total.

Convém referir que a Racing Point Force India não foi a única estrutura com eficácia total hoje na corrida de Spa. A Haas F1 tornou a evidenciar a sua competência e competitividade no panorama atual da Fórmula 1. Em traçados como aquele em que se correu hoje, com a velocidade de ponta a desempenhar um papel determinante, os motores Ferrari tornaram a dar boa conta do recado nos Haas de Romain Grosjean, que foi 7º, assim como no de Kevin Magnussen, que concluiu em 8º.

Romain Grosjean

A fechar o top 10 da corrida de Spa, nas posições pontuáveis, ficaram Pierre Gasly (Scuderia Toro Rosso) e Marcus Ericsson (Sauber Ferrari). Ambos optaram pela regularidade no Grande Prémio da Bélgica, capitalizando com os erros de outros para garantirem pontos.

Pela negativa, acabam por ficar vários nomes nesta edição do Grande Prémio da Bélgica. Desde logo, Nico Hulkenberg pela asneira da partida, em que destruiu a sua prova, a do espanhol Fernando Alonso – com este a descobrir que o Mclaren voa mas não na pista, assim como a da Renault. No entanto, a equipa francesa ficou à porta dos pontos, com Carlos Sainz a terminar em 11º.

Também dececionantes acabam por ser as prestações de Daniel Ricciardo (Red Bull) e Kimi Raikkonen (Ferrari). Ambos se desentenderam no início da corrida, ambos abandonaram, Raikkonen antes de se concluir a primeira dezena de voltas, Ricciardo à 28ª volta.

Texto: Jorge Cabrita  Fotos: Ferrari, Mercedes, Red Bull/Getty Images, Racing Point Force India, Haas F1, Sauber)