Realismo e vida real são palavras muito importantes, frequentemente utilizadas na web interna dos fóruns de simulação, no mundo do ‘sim racing’ (automobilismo virtual). Isto porque uma imensa comunidade reclama constantemente por maior realismo. Os estúdios dão resposta, atualmente investindo consideráveis verbas em marketing, com o intuito de credibilizar os respetivos títulos de simulação, posicionando-os lado a lado com parceiros do mundo real do automobilismo. Pegar num piloto famoso do desporto motorizado e proporcionar-lhe uma experiência no ‘cockpit’ de um simulador é uma das estratégias mais comuns.

É claro que quem está no meio sabe que este processo não é assim tão simples. É necessário mais que a simples associação visual com a ‘realidade’  para que se consiga que um simulador rivalize realmente com o automobilismo da ‘vida real’. Os fãs e clientes da simulação exigem os mais altos padrões e isso acaba por motivar as marcas envolvidas neste mercado para que, em equipa, continuem a evoluir. Para a Studio 397, atingir elevados níveis de realismo é muito mais que mero marketing. Existe a crença de que o motor que potencia o simulador rFactor 2 é em muitas formas único, nas suas vastas capacidades para simular com notável detalhe e fidelidade a física de um automóvel de competição. Dotar todo este potencial do mais elevado nível de realismo não é no entanto tarefa fácil. Aceitar este desafio significa que se torne muito importante ter acesso a dados em tempo real e ter uma forte colaboração com ‘gente’ fortemente envolvida no mundo do desporto automóvel.

Durante um dos seus temporais ‘Roadmap’, em que informa a comunidade sobre os passos e desenvolvimentos, presentes e futuros, a ser trabalhados no simulador rFactor 2, a Studio 397 mencionou a visita recentemente efetuada às instalações da Duqueine Engineering, em Ales França, ocasião durante a qual se trabalhou nas configurações do Norma LMP3 atualmente disponível no simulador rFactor 2.

A Duqueine Engineering, cujas instalações se localizam na pista de testes de Mechanopôle, em Ales França, é uma jovem empresa, cheia de dinâmica e motivação, com grandes ambições, para fazer chegar a sua estrutura ao mais alto nível competitivo. Tivemos o privilégio de ser convidados por Yann Belhomme, Team Principal da Duqueine Engineering, assim como pelo seu engenheiro chefe, Max Favard. O Max não é só um especialista no que diz respeito ao desporto motorizado e no que é necessário para configurar um carro ganhador, como também tem um vasto entendimento e enorme simpatia pelo mundo do ‘sim racing’ (automobilismo virtual). Com regularidade, o engenheiro chefe da estrutura francesa costuma organizar sessões de 1 a 2 dias no simulador de alta tecnologia, localizado nas instalações da equipa, durante as quais dá ‘coaching’ a pilotos profissionais e amadores. Os pilotos tiram benefício imediato do feedback obtido através não só da telemetria mas também do conhecimento do Max no que diz respeito à configuração de um carro de competição. No final de cada sessão, o Max critica o ‘stint’ (turno) de cada piloto, ao mesmo tempo que com ele analisa a telemetria.

A primeira visita da Studio 397 ao ‘quartel general’ da Duqueine Engineering data do passado mês de Maio, tendo como objetivo testar a física do Norma LMP3. Esta visita correu de tal forma bem que decidimos agendar rapidamente uma nova, para trabalhar em conjunto, expandindo a nossa colaboração inicial. Nesta segunda visita (que aqui vos trazemos), o foco esteve no desenvolvimento dos pneus atualmente utilizados pelos nossos carros de GTE e LMP’s. Mais uma vez, o talento e experiência de Max Favard, baseado nos seus dados e ‘know-how’ específico, revelaram-se fundamentais. Para acrescentar valor a uma experiência já de si única, pudemos contar com a presença de Nicolas Jamin, piloto com enorme experiência na Indy Lights e que atualmente está inserido na estrutura da Duqueine Engineering. Convém referir que o Nicolas viajou de avião para estar connosco nesta sessão, disponível para nos ajudar nesta tarefa. De forma incansável, a cada minuto durante os três dias de testes, o Nicolas foi-nos dando informação que se revelou fundamental no desenvolvimento dos pneus, tirando o máximo partido da sua enorme experiência

Literalmente, de forma conjunta, todos ‘arregaçámos as mangas’, prosseguindo de forma intensa os testes, colocando os nossos novos pneus sob verdadeiro escrutínio, o que envolveu curtos e longos ‘stints’ de condução no simulador da Duqueine Engineering. Os testes envolveram tanto os pneus para seco como os de chuva. A seguir a cada ‘stint’, trocámos ideias e comparámos os dados da telemetria. Foram utilizadas várias pistas para estes testes, incluindo uma versão anterior do nosso mais recente lançamento, Sebring, que foi produzida através de ‘laser scan’. A oportunidade de testar com esta pista super precisa com um piloto altamente experimentado, com competência para analisar cada detalhe, tornou-se um ‘bónus’ inesperado. E estamos muito felizes por poder anunciar que o Nicolas, que na realidade já guiou naquela pista com vários tipos de carros, ficou verdadeiramente impressionado com o nível de detalhe da nossa versão de Sebring International Raceway.

Durante os testes, também nos foi possível analisar dados técnicos do NormaLMP3 em recentes competições (na realidade), o que nos permitiu numa primeira fase ajustar e posteriormente introduzir melhorias tangíveis no nosso atual tipo de pneu (rFactor 2). Claro, não nos baseámos apenas nos dados técnicos, também tivemos em conta o comportamento geral do carro. O ‘feedback’ detalhado que nos foi dado pelo Nicolas, permitiu modificar e introduzir cirúrgicas modificações nos pneus. O resultado final de tudo isto traduz-se num desempenho atual dos pneus que está muito próximo do equilíbrio perfeito.

Efetuar estas melhorias dependeu também da capacidade da nossa equipa de desenvolvimento em produzir alterações em tempo real. As possíveis alterações eram sempre primeiro discutidas na Duqueine, depois o seu feedback era equacionado por ambas as equipas de trabalho, que constantemente iam efetuando alterações nos carros (Endurance Pack). Depois, tudo era de novo testado no simulador já com as alterações introduzidas, processo que se repetia até estarmos satisfeitos com o resultado final.

Christopher Elliott (Studio 397), Max Favard, Nicolas Jamin

Apesar de, durante os testes, termos tirado várias fotos do Nicolas a testar o rFactor 2 no simulador da Duqueine, a parte mais excitante desta ‘aventura’ foi a colaboração próxima e o espírito de ajuda de todos os envolvidos num interesse coletivo – desenvolver a física do rFactor 2 (num trabalho intenso recheado com muito café).

Por isso, um grande obrigado da nossa parte ao Yann Belhomme, Max Favard, Nicolas Jamin, assim como ao Laurents Hörr (que guiou o Norma na primeira sessão), ao Jonathan Wagg e a toda a equipa da Duqueine Engineering, pela sua hospitalidade e dedicação contínua. Foi uma experiência inesquecível! O vosso ‘know-how’ é de enorme importância para nos ajudar a evoluir para um rFactor 2 cada vez mais real.

Texto e Fotos: Studio 397  Tradução: OnWheelsTV