Já diz aquele ditado que muita gente conhece mas na realidade poucos acreditam, “há males que vêm por bem” e esse exemplo encaixa na perfeição neste magnifico espaço de restauração, bem no centro de Tomar. Designa-se de “A Bela Vista” , este restaurante e basta olhar para a foto que abre este tema para se perceber porquê. Situado no nº68 da Rua Marquês de Pombal, bem ali junto ao rio, o “A Bela Vista” é um restaurante com história, uma verdadeira relíquia familiar que esteve em risco de deixar de existir, ou até mesmo ser vendido, assim se podendo perder a sua linhagem, a ideia que o fez nascer.

Ricardo Menem e Ivo Sousa são a ‘receita’ perfeita para gerir este espaço de eleição, em Tomar

Até que os dois amigos, compadres mais concretamente, Ricardo Menem, da família que concebeu e alimentou este espaço por várias gerações e, Ivo Sousa, decidiram dar nova hipótese a uma ideia que tem tudo para dar certo. É engraçado, há outro ditado, que diz que “os opostos se atraem” e que também encaixa na perfeição nesta ‘história’. Quando descobrimos o que havia a contar de um restaurante familiar, de gerações, logo nos lembrámos de saber se havia fotos de outros tempos, que muito enriqueceriam a história que aqui se conta. Mas, o Ricardo Menem não é cá do passado nem de memórias, ‘para a frente é que é caminho’ e os passos que atualmente se dão neste restaurante antecipam uma longa história de sucesso. Aqui só se come com reserva e acreditem, a partir da hora de abertura de porta, a enchente é uma constante. Podemos comer ‘dentro de portas’ ou na sugestiva varanda onde a paisagem nunca nos cansa e sempre nos conquista. E tudo isto por uma média de 20 Euros por pessoa.

Aqui, num cenário de sonho, começam por ser ‘os olhos quem come’, inundados por um quadro de rara beleza, que começa ao fim do dia e termina noite escura. Mas, o ponto alto deste espaço é nele criado, ou seja, é uma refeição que se quer esteja à altura da paisagem. E está mesmo!

Tudo começa pelo atendimento, os dois patrões, um despegado do passado e extrovertido, outro extrovertido e um sábio gestor das contas, abrem a porta, acompanhados de um staff de enorme simpatia e constante disponibilidade. Os olhos estão sempre nas mesas, nada pode faltar. E não falta.

Começámos por umas entradas, nada de espampanante, mas ainda vínhamos de um almoço farto e, por isso, à hora do jantar buscávamos alguma tranquilidade. Por isso, poupámos forças para os dois pratos principais, até porque esses realmente valem o ‘esforço’. Começámos por uns inesquecíveis Filetes de Pescada com Arroz de Tomate. Aqui não há segredos, mas há trunfos, como por exemplo o facto de a pescada ser comprada e preparada, não estamos a falar de filetes já comprados assim. O peixe estava perfeito e o arroz, esse então estava divinal. Vou ter que lá voltar, já me conquistou, a mim e ao José Lourenço, que lá ia soltando o chavão, ‘isto está pra lá de muito bom’.

Mas, ainda faltava um prato, o Cabrito no Forno, que tanto os orgulha e têm motivo para isso. Vale a pena vir ao “A Bela Vista” e provar este prato, magnífico. O cabrito bem preparado está tenro, uma suave passagem de faca, como nós gostamos e um sabor que tem segredo e nem nós o soubemos desvendar, somente desfrutar. Bebemos também aqui um Casal das Freiras, tinto touriga nacional e sem medos, o hotel era logo ali na outra margem e viemos andando a pé, porque a cidade convida a isso.

Para sobremesa, novamente fomos seduzidos pela Fatia de Tomar e, para ser sincero, por mais dias que ficasse por esta linda cidade, mais dias de Fatia de Tomar haveria. Um verdadeiro manjar dos deuses para o povo.

Este foi o último espaço que visitámos neste nosso trajeto até Tomar. A cidade e todos os recantos que visitámos, nos conquistaram. A magia do local é ainda privilegiada pela saudável, amável e cordial mentalidade da sua população. Um verdadeiro convite que se estende até nós, impossível de recusar.

Texto: Jorge Cabrita  Fotos: José Lourenço