A Nissan deu novas face e corpo a um dos seus modelos mais importantes, o Micra. Com isso, o modelo ganhou uma alma nova que o seu fiel público muito agradece. Celebrando a estreia dos produtos da Nissan no nosso espaço, recebemos para Teste o IG-T 90, a versão a gasolina deste remodelado e muito giro ‘emigrante’ nipónico, que cada vez mais se situa em solo europeu.

A Nissan mexeu e muito no Micra para aquela que é a sua 5ª geração. E o ‘gesto’ que é muito mais do que apenas estético, não podia ter sido mais feliz. Convém dizer e assinamos por baixo, por ser a nossa opinião, nunca fomos fãs da linha deste modelo, nas suas gerações anteriores. Mas, também tem que se ser frontal ao afirmar, a 5ª geração desta proposta Nissan, decididamente nos conquistou. O Micra que aqui vos trazemos, a versão a gasolina que provavelmente será a mais apelativa do modelo – diesel incluído – apresenta-se como uma proposta fadada para o sucesso. Além de linhas atraentes, muito ao estilo da atual ‘família’ Nissan e interiores de muito bom gosto, totalmente virados para um público de mentalidade jovem, há ainda um comportamento em estrada que nunca nos deixa ficar entediados. A concorrência do segmento ganhou um forte adversário.

‘Respeito Pelos Mais Velhos’

O novo Micra respeita totalmente as restantes criações atuais da ‘família’ Nissan. Queremos com isto dizer que não esconde as semelhanças nos traços com outros membros da gama de modelos do construtor nipónico, como o Qashqai (são inegáveis as semelhanças na dianteira), aí até mesmo com o X-Trail, assim como algumas parecenças na traseira, até mesmo como sugeriu o ‘nosso’ editor fotográfico, com o Juke. No entanto, a sua linha jovem, de traços fortes e com personalidade, não esconde que se trata do ‘Benjamim’ da família, do puto mais novo se preferirem.

Esteticamente, a imagem do novo Nissan Micra é forte. Agressivo na dianteira, algo que na versão ensaiada se torna ainda mais evidente, tamanha a felicidade na escolha das cores – com o tom alaranjado forte (Energy Orange) a contrastar com o preto presente na grelha dianteira e em partes do para-choques e também nas laterais e traseira – esta proposta aponta com tremenda pontaria a um público jovem, não só em faixa etária como também em mentalidade. Na dianteira, a marca foi extremamente feliz na maximização dos óticas, que se enquadram na perfeição nas dimensões compactas do Micra. É impossível não nos deixarmos prender pelo caráter deste modelo ao vê-lo diante dos nossos olhos… que também compram!
É que de facto se torna difícil não reparar neste modelo. Está tão diferente, para muito melhor, da imagem tradicionalmente oval do Micra, que depois acabava por nos cativar por ser tão bom em estrada. A sua 5ª geração é e facto uma vida nova, em que a estética acaba, na nossa opinião, por ser determinante ao ponto de nos convidar e entrar para este ‘pequeno’ Nissan e desfrutar muito em estrada. O perfil não é menos atrativo, antes pelo contrário. Mais uma vez, na unidade ensaiada, o jogo de cores é brutal. O contraste laranja/negro é quase irresistível. As jantes em preto são um ‘must’, como que nos sugerindo que este ‘puto’ é vincadamente desportivo.
A traseira é mais um ponto forte na estética do Nissan Micra. A forma como o seu desenho fui em dimensões compactas, como que sempre querendo ‘sair da casca’ (entenda-se casca/plataforma), faz-nos perceber que esta é a mais irreverente versão do compacto japonês. O dinamismo percorre todo o automóvel e a traseira não é exceção, com detalhes que nos encantam, como o jogo dinâmico do para-choques, sempre com aquela intensão de causar uma impressão desportiva ao Micra IG-T.

Interior Com Personalidade

O interior de um automóvel é o espaço que melhor tem que comunicar connosco, de diversas formas, já que a estética exterior passa a fazer parte do passado, assim que entramos, nos sentamos, fechamos a porta e convivemos com este ambiente, na sua condução. A Nissan também aqui foi feliz, na criação do espaço interior para o Micra, que consegue gerar cumplicidade com o seu utilizador. Mantendo o jogo de cores com o exterior, dentro do Micra vive-se um ambiente que se encontra em perfeito equilíbrio com quem o utiliza.

A Nissan foi perspicaz ao pensar no espaço interior do novo Micra, dando-lhe a mesma aparência (salvo as devidas proporções) do Qashqai. Não vem daí qualquer mal, antes pelo contrário, porque não dotar um dos seus modelos mais importantes na Europa, dos atributos estéticos interiores daquele que é atualmente o melhor cartão de visita do construtor. Falando das linhas interiores do novo Micra, elas são simples e fluidas, atraentes e, mais importante que isso, de extrema simplicidade na colocação de instrumentação, que depois se traduz na potenciação da utilização por quem está ao volante.
Tal como já pudemos perceber acontece na generalidade dos modelos da gama Micra, a Nissan aposta num interior em que as cores jogam, independentemente dos materiais, com o exterior. Assim sendo, neste IG-T que testámos, os tons ‘Energy Orange’ eram acompanhados por inserções nessa tonalidade, nos bancos dianteiros e traseiros. Giro! Falando do conforto propriamente dito, ele não encanta nem desencanta, estando dentro do exigível neste segmento. Para quem está ao volante e, no nosso caso, gostámos da posição de condução, tendo também agradado a variedade de opções no ajuste do banco e do volante. Gostámos também da manete da caixa de velocidade, ligeiramente alta, que permite uma boa adaptação à condução.
Em termos de equipamento, de série e não, o Mira que testámos apresenta-se competitivo, apelativo até. Desde logo e não resistimos a colocar esta foto, o sistema de som Bose que nem sequer abdica de speakers no encosto de cabeça do condutor. Detalhe que marca a diferença. A vida é feita de detalhes não é? O novo Micra também! Relativamente a outro equipamento presente no interior e não vamos para já falar de ajudas à condução, neste IG-T de nível de equipamento N-Connecta, podemos contar com: Sistema de áudio BOSE Personal e Personalização interior.

Bem Equipado

A Nissan quis entrar em força no segmento com a nova geração Micra, o que se compreende depois do mercado que perdeu, essencialmente com o Micra IV. Por isso, versões como esta, a IG-T de 90cv a gasolina, com nível de equipamento N-Connecta, apresentam alguns ‘luxos’ no que diz respeito a ajudas á condução.

Desde já referir que, de série na versão N-Connecta, contamos com jantes 17x85J. Além disso estão presentes: Camara de visão traseira, Sensores de estacionamento traseiros, Escudo de Proteção Inteligente (Sistema Inteligente de Ângulo Morto, Deteção de Objetos em Movimento), Sistema de multimédia e infotainment c/telefone incluído em écran de 5″, ESP, ABS, EBD, HBA, TCS, BLSD e HSA.

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O Nissan Micra IG-T 90 é Maxi de energia positiva!

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Em Estrada – Muito Divertido

A opção para este IG-T é um bloco de 3 cilindros que debita 90cv a partir de 898cc. Embora, com estes valores, sejamos tentados a pensar que se trata de um motor sem capacidade, ou que o Micra é amorfo em aceleração, a verdade é que essa é uma conclusão precipitada.

Em aceleração, o Nissan Micra IG-T é suave, por vezes parecendo até não ter alma nem desempenho. Convém darmos tempo a nós próprios para percebermos em que situações este motor é mais ou menos performante. A verdade é que ao fim de alguns quilómetros, em estradas com diferentes morfologias, vamos perceber que esta opção motriz se torna interessante ao nível do desempenho e da gestão do combustível. E nunca deixa de ser, com mais ou menos valias, uma excelente proposta, comparativamente ao que a concorrência do segmento tem para contrapor.
Em curva, convém dizer que o Micra ainda não chega para bater algumas referências do segmento, como por exemplo o novo Ford Fiesta. Ainda assim, convém também dizer, é muito agradável, seguro e, sobretudo divertido. As suspensões são confortáveis mas, ao não terem um curso demasiado longo, impedem que o carro não sofra em estradas de piso mais degradado, com lombas e buracos que não estavam nos planos iniciais. Aí, sofre o Micra e quem vai lá dentro. Durante o nosso teste, viajando Lisboa-Algarve e vice-versa, optando por não enriquecer a Brisa e outros operadores – diga-se por estradas nacionais – pudemos divertir-nos, muito, no trajeto desde a Mimosa até aos arredores de Portimão, onde a morfologia nos obriga a trabalhar os braços, desfrutando do carro e da beleza da paisagem. A inserção do carro em curva e seu desempenho nas várias abordagens às mesmas (entrada, miolo, saída) é notável. A travagem é equilibrada, forte quando se quer e não notámos a tendência do Micra ‘se pendurar’ em bloquear os travões. Por vezes, momentaneamente armados em ‘pilotos’, tivemos que travar com o carro em trabalho de suspensão e desequilibrado aqui e ali. Gostámos da forma como este pequeno Nissan nunca deixou de estar onde queríamos e ir para onde queríamos. Para um modelo que, com alguns luxos estéticos, mais não é que um utilitário, gostámos realmente do seu comportamento geral, em estrada.

Conclusão – Muito Melhor!

O Nissan Micra, que aqui vos trazemos na sua proposta mais musculada a gasolina – tem uma outra motorização disponível de 1.000cc com 75cv – melhorou muito comparativamente com a anterior geração, que quase ‘matou’ um dos modelos mais importantes do construtor nipónico, há muito já ‘emparceirado’ na família Renault. O Micra V tem imagem forte e atraente e um interior que encanta, se o analisarmos em detalhe. Sim, no interior tem a presença de muito plástico. São os novos tempos, amigos, tem o Micra e outros de outras marcas.

Em estrada, revela-se eficiente e divertido e ainda é económico, pois os nossos consumos de combustível andaram pela média dos 5.9 a 6.1 l/100km. Então assim sendo, porque demos as 4 Estrelas na votação a este modelo que tem um custo (na versão ensaiada) de €18.300?

É simples. Temos seguido um critério de coerência nas nossas votações, que são nossas, a todos os automóveis que sujeitamos ao teste “Em Estrada”. Se o Nissan Micra IG-T impressiona no global pelo seu desempenho, não gostámos particularmente da robustez dos materiais, por exemplo no abrir e fechar de portas, em que parece que estamos a fechar uma qualquer porta sem isolamento, que não deixa de evidenciar fragilidade. ATENÇÃO, não estamos a dizer que o Nissan Micra é frágil no que diz respeito à sua estrutura, nem o poderíamos fazer. A verdade é que, no abrir e fechar de portas, não conseguimos sentir nem escutar aquele ruído musculado que é sinónimo de robustez. Talvez fosse um fator a rever pela marca. Além disso, num país em que no interior e, convém não ser injusto, no centro das grandes cidades, as estradas ainda apostam muito no paralelepípedo, o Micra acaba por vezes por ser demasiado rijo na suspensão, que está pensada para eficiente desempenho em bons ‘tapetes rolantes’. O mundo não é perfeito, as estradas também nem sempre o são e este Nissan por vezes sofre e deixa sofrer com isso. Não é o único, convém referir, mas nesse capítulo não evidenciou o desempenho de outros modelos do mesmo segmento, que já pudemos testar. Ainda assim, as 4 Estrelas são uma nota bastante positiva, justa para a nova vida do Nissan Micra, que não deixou de nos encantar.

Texto: Jorge Cabrita  Fotos: José Lourenço e Jorge Cabrita