As linhas irreverentes do Suzuki Ignis AllGrip não passam despercebidas, mas quem contempla este pequeno senhor não faz ideia do prazer de condução por ele proporcionado, seja em estrada ou então nos trilhos de terra, em que diverte até mais não.

Mais uma excelente proposta da Suzuki, que pudemos testar. O Ignis, versão AllGrip (4WD), nunca será um sucesso de vendas, embora não se perceba muito bem porquê, já que enquadra todas as características que os verdadeiros apaixonados pelo automóvel buscam na sua insaciável pesquisa. Tem uma estética irreverente, cabe em todas as ruelas e ‘estradões’, a tração integral melhora o seu desempenho em todo o tipo de superfície, um motor que não é muito potente mas tem atitude, um preço altamente competitivo, sem esquecer que se propõe abrir uma nova filosofia, a do micro SUV. Além disso, e este detalhe é muito importante, mantém viva a imagem da Suzuki como construtor de pequenos ‘grandes’ automóveis com incomparável caráter para a aventura.

A Beleza Cultiva-se Com Respeito Pela Tradição

O Suzuki Ignis consegue como poucos ser, ao mesmo tempo; uma simples proposta de um automóvel compacto com competência para estrada e não só; um verdadeiro exemplo de que não é preciso ser-se muito elaborado para conseguir com traços simples captar todo o interesse do púbico numa proposta que faz jus à filosofia do automóvel atraente. Se tivéssemos que selecionar uma palavra que definisse a imagem deste Suzuki Ignis, a óbvia escolha seria… castiço!

Não há nada que pudéssemos acrescentar à frente do Suzuki Ignis que aprimorasse a sua aparência cativante. Este micro SUV encanta-nos com os seus traços fortes e personalidade única. O compacto japonês destacar-se-ia facilmente numa multidão de automóveis, pelas suas linhas inconfundíveis. Nos traços fortes da frente, merece claramente destaque o painel da grelha frontal que inclui as óticas e bem no centro o logo da Suzuki, tudo cercado por um contorno cromado. As óticas são extremamente chamativas, de dia ou de noite, sendo o seu contorno LED um encanto. A frente é ainda musculada pela visibilidade das abas laterais (cavas das rodas), que quase confundem este micro SUV com um automóvel de competição. Nos extremos do para-choques, realçam-se ainda os faróis de nevoeiro, embutidos nuns generosos retângulos pretos, que servem como entradas de ar e apimentam uma imagem forte.
O perfil do Suzuki Ignis AllGrip é também um ponto forte da sua imagem, realçando personalidade única no atual universo automóvel. O modelo faz, em pequenos detalhes, homenagem ao Cervo, que encantou os fãs da Suzuki nos anos 70. Esses detalhes são visíveis por exemplo nas ‘guelras’ presentes na secção traseira das laterais, ali ao lado da porta que dá acesso à segunda fila de bancos, assim como também nos vincos do desenho das portas traseiras. É incrível como este compacto 4×4 consegue ser agressivo nas suas dimensões, com um estilo irreverente que não passa mesmo despercebido. Na unidade testada, havia perfeição no jogo de linhas e sua cumplicidade com os tons, o vermelho da carroçaria, e o preto presente nas cavas das rodas, nos vidros traseiros e nas jantes deportivas. Outro detalhe que não passa despercebido a quem contempla de forma harmoniosa um automóvel bem conseguido, é a elegância dos espelhos retrovisores vermelhos que depois se ‘colam’ ao automóvel através de base preta. Este Suzuki Ignis AllGrip é mesmo um hino ao design e criatividade.
A secção traseira do Suzuki Ignis, ainda que seja a sua área menos elaborada estilisticamente, joga na perfeição com todo o músculo exibido por este castiço micro SUV. Desde logo, o para-choques beneficia da maior largura das abas laterais nas rodas traseiras (bem mais largas que na dianteira), para assegurar agressividade e caráter a este pequeno japonês. Ao mesmo tempo, subentende-se competência para o fora de estrada através desta imagem musculada. O dinamismo da secção traseira do Ignis AllGrip é ainda reforçado pelas generosas e irreverentes óticas.

Giro e Grande, Por Dentro

Embora as dimensões do Suzuki Ignis nos levem a pensar que por dentro será acanhado, esse raciocínio cai pela base mal entramos, seja para os bancos da frente ou para trás. E assim o Suzuki Ignis também vence o 2º assalto, por K.O.

Ao entrarmos para o Suzuki Ignis AllGrip, somos confrontados com um espaço que foi criado de forma inteligente e que, no estilo, não deixa de impressionar pela positiva. No caso da unidade ensaiada, o preto e vermelho do exterior é superado por um preto e branco que sinceramente nos agradou. Os bancos não são o primor do design nem do conforto, mas ao fim de percorridos mais de 600 km neste pequeno SUV, não nos deixaram qualquer sinal de fadiga ou desconforto. A posição de condução proporcionada é agradável e de fácil adaptação, mesmo se nos ajustes do volante o Ignis está à antiga, ou seja, só ajusta em altura. O tablier e consola central têm desenho simples mas que joga na perfeição em todo este conjunto, especialmente se olharmos para a peça na consola central que aglomera várias funções, como por exemplo os comandos da climatização e alguns modos de condução, nomeadamente para fora de estrada. Também gostamos do sistema de infotainment, ao estilo tablet encrustado no tablier, que joga muito bem em todo este conjunto.
Por incrível que pareça, este micro SUV garante competência no espaço interior, idealmente proporcionado a quatro ocupantes. Mesmo quando quem está ao volante possa necessitar de ganhar espaço para as pernas ‘jogando’ o banco um pouco mais para trás, quem viaja na segunda fila de bancos consegue estar satisfeito com o espaço para colocação das pernas, assim como com a altura para a cabeça. De referir que os materiais ao longo do espaço interior deste Ignis são simples e poderiam ter melhores acabamentos. No entanto, para a função deste micro SUV, ser competente em estrada e divertido por caminhos e estradões, achamos que a solução encontrada pela marca é a ideal para proporcionar conforto q.b. e não estar a investir em materiais que encareceriam esta proposta, tornando-a menos atrativa na comparação com outras alternativas automóveis.
Para um automóvel, 4×4, com um preço total de, na unidade ensaiada, €16.584 (que com despesas administrativas e cor metalizada sobe para os €19.159), este Suzuzki Ignis 1.2 GLX AllGrip está bastante bem equipado e falo concretamente de equipamento de série. Senão vejamos, no interior conta com vidros elétricos à frente e atrás, computador de bordo, fecho centralizado, botão de arranque sem chave, ar condicionado manual e climatizador automático, écran tátil com ligação smartphone, Bluetooth, DAB e camara de visão traseira, além do sistema de navegação, bancos aquecidos à frente, volante de três raios com comandos mãos livres, isto entre muito outro equipamento. Já no que diz respeito ao equipamento de segurança incluído de série, destacamos: faróis com função ‘Guide me light’, ABS com EBD, ESP, travagem de emergência automática, Dual Camera Brake Support (DCBS), alerta anti fadiga, aviso luminoso em travagem de emergência, controlo de retenção e descida em pendentes, Grip Control, TPMS (controlo de pressão dos pneus), duplo Airbag SRS frontal, Airbag SRS de cortina, isto também entre outros sistemas e equipamentos incluídos.

Competente, Divertido, Económico, Entre Outros ‘Talentos’

Com um pequeno motor 1.2 a gasolina, de tecnologia DualJet e 90 cv de potência às 6000 rpm, este Suzuki Ignis transporta-nos para uma inesperada e inesquecível viagem de inúmeros desafios superados. Este pequeno SUV, é um micro de tamanho e um maxi de desempenho.

O Suzuki Ignis 1.2 GLX 4WD (AllGrip) fez-me perceber que a marca nipónica não esqueceu a tradição que modelos como o Santana e Samurai lhe granjearam. Os inúmeros aficionados dos modelos 4×4 desta marca também ficam a saber que este Ignis é uma excelente proposta para a estrada e fora dela. Focando-nos para já só no desempenho em estrada, ficámos mesmo impressionados com os atributos dinâmicos de um modelo que à primeira vista sugeria limitações nesse capítulo. Não é um carro grande, nem tão pouco largo, tem alguma altura do chassis relativamente ao solo (180mm), o que mais sugere limitações em estrada. Pelo contrário, pudemos perceber que este Ignis é mesmo giro de guiar. O motor não é poderoso mas tem genica, estaleca se preferirem. Reage bem às solicitações do pedal da direita e em curva tem um desempenho primoroso. Não vou negar e contra mim falo, confiei na física deste Ignis e, na serra do Caldeirão, nas curvas depois de Ourique, no sentido norte sul, muitas vezes ‘atirei-o lá para dentro’ e fiquei a perceber que temos aqui um micro SUV de competência total em curva. O chassis é muito equilibrado e torna a condução divertida, convidando constantemente a um desempenho vivo. Fiquei mesmo contente de saber que a Suzuki não renegou as suas competências na criação de micro veículos de maxi desempenho.
Embora no asfalto, na maior parte das vezes, este 4WD esteja a funcionar apenas com tração dianteira, proporcionando divertimento, é na terra que melhor entendemos como o Suzuki Ignis está dotado de atributos que o tornam realmente competente. Que pequenino grande automóvel. Apenas com o doseamento do acelerador vamos desfrutando da competência de um chassis e transmissão bem pensados para uma utilização em estrada e fora de estrada. Claro, com o dosear do acelerador, em estradões de terra, é mesmo divertido este Ignis, divertido e obediente. Também nos atrevemos, durante a produção fotográfica, a levá-lo para um acesso público a uma das praias ribeirinhas de Ferragudo, ali juntinho a Portimão. Aí, nem as pequenas valas no percurso nos intimidaram. Nem a nós, nem ao Ignis, que mostrou como traciona bem após ‘aterrar’ de pequenos saltos, para de imediato ter capacidade de resposta em aceleração. Da mesma forma, a suspensão revelou-se competente, nem demasiado suave, nem dura, para que os ‘saltinhos’ não nos incomodassem a coluna. A direção é precisa, não tem uma desmultiplicação grande, o que permite deambular em curvas de esquerda e direita, limitando-nos nós a colocar a frente e dosear acelerador. Diversão pura!

Conclusão – Por Menos de €20.000? Era Já!

Todos sabemos como o panorama fiscal em Portugal, de há alguns anos a esta parte, penaliza os veículos 4×4. Assim sendo, quando nos deparamos com uma proposta como este Suzuki Ignis 1.2 GLX 4WD que, embora com motor a gasolina, consegue através de bons consumos (média de 5 l/100km) e ainda melhores emissões de CO² (118 g/km), ser competente em estrada, proporcionar prazer de condução em asfalto e terra, ser espaçoso no interior, ser esteticamente agressivo e atraente, tudo isto por menos de €20.000, então só nos resta dizer que, se fosse para nós comprarmos, ERA JÁ!

Em todos os itens que analisámos deste produto, ficou apenas um pequeno senão, relativamente à sua agilidade dinâmica no asfalto, em que por vezes temos que fechar demasiado a direção para despertar o eixo traseiro forçando-o a rodar para retomar o direcionamento ideal em curva, especialmente nas mais longas e lentas. Claro, isto acontece em virtude da necessária altura ao solo que permite a este Suzuki Ignis ser, no geral, competente em estrada e fora dela. Competente no geral, notável e agradável em situações pontuais.

Texto: Jorge Cabrita  Fotos: Jorge Cabrita e Manuel Figueira