O Arteon representa o que há de melhor atualmente no universo de modelos da Volkswagen. Naquele que é o membro mais exuberante de todos os que partilham a plataforma MQB, tudo sobressai num exercício de pleno bom gosto e exuberância, em todo e qualquer traço exulta classe. Além disso, o comportamento é brilhante!

Herdeiro da responsabilidade de ser o ‘chefe de família’ da gama de atuais modelos da Volkswagen, o Arteon assume com distinção o lugar até aqui ocupado pelo Phaeton, o anterior líder da família de Wolfsburgo. Por muitos conotado como o A7 da Volkswagen, algo que nem fica mal referir, já que as semelhanças são algumas, esta proposta assume prioritariamente a vontade da marca em se posicionar num conceito mais elitista. O Arteon é possuidor de elevado requinte, sendo na nossa opinião um dos mais belos automóveis da atualidade. A Volkswagen está de parabéns!

Esteticamente Irrepreensível

Muito mudou na indústria automóvel ultimamente e as mudanças serão ainda mais dinâmicas no presente e futuro próximo. No entanto, continua a valer a pena que se aposte na estética, na imagem de um automóvel, especialmente quando este se destina a um segmento de topo, mais exclusivo, com um maior caráter de exigência. A Volkswagen quis um Arteon ultra moderno, irreverente, mas ao mesmo tempo elegante, com classe. Missão cumprida!

Por incrível que pareça pelas formas volumosas e majestosas, o Volkswagen Arteon provém da plataforma MQB, a mesma que é inerente à grande parte dos modelos atuais da marca germânica, incluindo o Golf. Existem alguns sinais na imagem do topo de gama da VW que o denunciam, como por exemplo a frente, que acaba por ser ‘curtinha’, na silhueta global de um automóvel que é grande. No entanto, esse acaba por ser um detalhe que vem trazer equilíbrio às linhas do Arteon, para que este possa ser visto ao mesmo tempo como uma limousine de luxo e um desportivo de extrema elegância.
A frente é consensualmente o ponto de maior energia visual do Volkswagen Arteon. A grelha ‘embute-se’ nas óticas, criando um centro de energia imenso, que traduz a imponência deste galã germânico. Num exercício estilístico onde nem sequer falta o capot mergulhante que acaba por penetrar, também ele, na grelha frontal, cria-se um poderoso fluxo de dinamismo ao qual os nossos olhos são incapazes de resistir. Dá-se assim vida ao tão utilizado, ‘comer com os olhos’! Além disso, juntam-se à enérgica frente as poderosas jantes de 19″ e fica ainda mais difícil ao comum dos mortais resistir ao apelo do Arteon.
A secção posterior do Volkswagen Arteon é o ponto de viragem no modelo germânico, uma verdadeira chamada ao ‘bom senso’. Se a frente é uma explosão de energia e irreverência e a lateral alia na perfeição o caráter desportivo e o espaço e requinte de uma limousine capaz de transportar chefes de estado – embora na cor da unidade ensaiada talvez só o fizesse nos trópicos -, a traseira acaba por ser o ‘toque a reunir’ para o estilo e classe. O seu design limpo encaixa na perfeição com detalhes primorosos, como o friso metálico que na parte inferior do para-choque serve como uma enorme sobrancelha às irreverentes ponteiras de escape, ou mesmo o defletor traseiro, em preto que destoa no portão da mala, chamando a atenção de que esta limousine também é desportiva. A R-Line acaba por encaixar na perfeição em toda a filosofia deste automóvel grandioso.

Cockpit ‘a la carte’

O Volkswagen Arteon transporta para dentro toda a elegância que orgulhosamente ostenta no exterior. No entanto, respira-se no seu interior um ‘ar de satisfação’, num espaço requintado, confortável, desportivo e com tudo o que é necessário para o total bem estar do condutor e passageiros.

Aliar a sumptuosidade do interior de um topo de gama à desportividade de um modelo da família R-Line, é outro dos atributos deste Volkswagen Arteon, pelo menos no que diz respeito à unidade que tivemos o privilégio de testar. O espaço interior, para além de grande, é de extrema elegância, reconhecendo-se facilmente o ADN da personalidade germânica, fria na criação de um ambiente funcional e requintado, com traços simples e modernos, sem serem espalhafatosos. Depois, vem o toque R-Line, que aporta dinamismo aos equipamentos, nomeadamente ao volante, que fica ainda mais ‘apetitoso’ de usar. As poltronas da limousine são de ótima qualidade, com a pele a fazer parte integrante deste ‘quadro’. Há espaço à frente e atrás, embora na segunda fila de bancos, gente alta possa estar em constante contacto com o tejadilho.

 

Como seria de esperar de um automóvel topo de gama, este Volkswagen Arteon está bem equipado, especialmente na R-Line. Característico desta série e que desde logo se destaca no interior é o volante, desportivo, em couro e que conta com o logotipo R-Line, além de inserções decorativas em alumínio “Prata Rise”. Também os bancos Top Confort são R-Line, em couro “Nappa” e com suporte lateral em “Carbon Style”. Além disso, os utilizadores (consumidores) desta versão do Arteon podem contar com equipamento de série que inclui: “Lane Assist”, “Light Assist”, Jantes de liga leve “Sebring” 9jx19″, Airbags dianteiros (c/desativação do airbag do passageiro) e airbag de joelhos para o condutor, Ar condicionado Climatronic (3 zonas), Car Net com serviço “Guide & Inform” e “Security & Service”, Controlo automático da distância ACC, Camara multifunções, Camara traseira, Detetor de fadiga, Direção assistida progressiva, Indicador multifunções “Active Info Display”, Luzes de condução automáticas com funções “Leaving Home” e função manual “Coming Home”, Luzes de leitura à frente e atrás, Luzes traseiras em LED com sinal de mudança de direção dinâmico, Manípulo da alavanca de velocidades em couro, Navegação “Discover Media” com Volkswagen Media Control, “Front Assist” com City Emergency Brake, entre muitos outros itens.
Outro ‘pequeno detalhe’ que encaixa na perfeição no requinte interior deste Volkswagen Arteon é o teto panorâmico, que provoca a luminosa interação do ambiente interior desta proposta com o exterior, proporcionando imagens como esta.

Em Estrada – Prazer Imenso

Embora se trate de uma limousine, o Volkswagen Arteon concilia de forma primorosa o conforto de um automóvel de generosas dimensões com a energia dinâmica de um desportivo. Na nossa ótica, esta proposta é perfeita!

Embora pelo nosso texto seja fácil entender que nos deixámos cativar pela estética (e não só) deste modelo, a verdade é que foi no seu compromisso dinâmico que ele verdadeiramente nos encantou. Se o Arteon cumpre na perfeição o propósito de limousine, especialmente se utilizarmos os modos Normal e Comfort da suspensão adaptativa DCC, em que o modelo não surpreende, pois é esse desempenho que nele esperamos encontrar, a questão é toda a encantadora irreverência que evidencia quando clicamos na opção Sport.
Confortável, estável, são características que não surpreendem no dinamismo do Volkswagen Arteon, até porque a sua tração integral assume total eficiência. Mas, no modo Sport, este Volkswagen é uma ‘bala’ em aceleração, causando-nos um inegável sorriso de prazer a cada ‘pisadela veemente’ no acelerador. Necessita de 6,5s para chegar dos 0 aos 100 km/h e atinge os 245 km/h (embora o indicador tenha mostrado um pouco mais). Os consumos não nos interessaram muito, mas para que vocês saibam, cifram-se na média anunciada de 5,9 litros, embora nós não tenhamos baixado dos 7 l/100 km. A culpa é do modo Sport, do qual ficámos clientes. Num automóvel como este, que custa de base 47.889 Euros, mas que na versão ensaiada chega aos €67.914.91, o problema mesmo vai ser andar dentro dos limites de velocidade. Senão vejamos: o carro é perfeito em termos de comportamento, contando com uma aceleração vigorosa e cativante, um equilíbrio notável de chassis que se traduz num comportamento ultra-eficiente em curva e uma travagem que nunca deixou de nos impressionar, em qualquer registo, mesmo quando tivemos de o fazer em curva, para contornar imprevistos. Mediante tamanha eficiência, sentimo-nos de tal maneira seguros e confiantes que o único imprevisto que nos poderia condicionar, seria levar com o ‘tal’ satélite chinês em cima!

Texto: Jorge Cabrita  Fotos: José Lourenço