Fórmula 1: E Vão Três Para Vettel

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Sebastian Vettel está na pole position para o Grande Prémio do Azerbaijão, quarta etapa do Mundial de Fórmula 1. Aos comandos do Ferrari, o alemão concretizou há poucos instantes a sua terceira pole position da temporada.

Não é porque atualmente os motores de Fórmula 1 são híbridos que dizemos isto, mas a verdade é que a sessão de Qualifying para o Grande Prémio do Azerbaijão foi eletrizante, especialmente no Q2 e Q3. A luta pela hegemonia do campeonato, de Pilotos e Construtores, está bem e recomenda-se. Essencialmente, hoje foram os Ferrari e Mercedes a marcar a diferença, tirando partido de alguma falta de potência dos Red Bull no traçado citadino de Baku. No início do Q2, a Ferrari superiorizou-se à concorrência, mas a Mercedes reagiu bem nos últimos instantes da sessão, para colocar os seu dois carros no topo da tabela de tempos, com Lewis Hamilton a finalmente superiorizar-se a Valtteri Bottas.

No entanto, a Ferrari ainda não tinha ‘aberto o livro’, o que veio a suceder logo no início do Q3, quando Sebastian Vettel fez um ‘tempaço’, com uma volta em 1m41.498s, gelando as hostes da Mercedes, que literalmente não conseguiu reagir.

Lewis Hamilton

Lewis Hamilton teve que se contentar com a excelente volta em 1m41.677s, que o coloca ao lado do alemão, na primeira linha para a corrida de amanhã. Este resultado esteve, no entanto, suspenso até à última volta de Kimi Raikkonen, no outro Ferrari. O finlandês vinha a pulverizar o tempo de Vettel, na última volta da sessão, mas na difícil esquerda que dá acesso ao rapidíssimo ultimo sector, não evitou um erro, perdendo momentaneamente a traseira do SF71H. O resultado foi a perda de toda a vantagem, para um ‘infeliz’ sexto melhor tempo.

Valtteri Bottas, tornou a estar bem, mostrando-se muito competitivo, embora desta vez não tenha sido o melhor dos pilotos do Mercedes W09. O finlandês estabeleceu a sua melhor volta em 1m41.837s, o que lhe garantiu o terceiro melhor tempo.

Daniel Ricciardo

Numa sessão em que tentou de tudo para minimizar a falta de potência dos motores Aston Martin nas ruas de Baku, especialmente na longa reta da meta, a Red Bull ficou com a quarta e sexta posições para a corrida. Daniel Ricciardo tornou a estar melhor que Max Verstappen, assinando uma volta em 1m41.911s, enquanto o ‘míudo’ holandês fez 1m41.944s, o que lhe garante o sexto posto na grelha de partida.

Force India e Renault Reassumem ‘Estatuto’

Depois de nas primeiras etapas do calendário, terem andado arredadas das melhores posições na Qualificação – entenda-se nos lugares abaixo do top três das equipas (Mercedes, Ferrari, Red Bull) – a Sahara Force India e a Renault voltaram a assegurar posições no top dez do Q3. Os dois carros da Sahara Force India asseguraram o sétimo e oitavo melhores tempos, com Esteban Ocon e Sérgio Perez a exibirem-se a bom nível na sessão decisiva. Provavelmente, a decisão da Mercedes de permitir que os carros da equipa gerida por Vijay Mallya possam fazer uma melhor gestão dos modos de utilização dos motores, acabou por ajudar a um melhor desempenho em pista.

Esteban Ocon

A Renault também vem vindo a subir de performance, prova após prova. Os carros franceses asseguraram o nono e 10º melhor tempo dos treinos, com a melhor performance a ficar a cargo de Nico Hulkenberg. No entanto, o alemão terá uma penalização de cinco lugares para a corrida de amanhã, em virtude de ter substituído a caixa do Renault R.S. 18.

Williams em Alta, Toro Rosso Nem Tanto

Há várias conclusões para tirar, ao fim de mais uma sessão de Qualifying para uma etapa do Mundial de Fórmula 1. Desde logo, pela positiva, o excelente desempenho dos dois Williams de Lance Stroll e Sergey Sirotkin, que estiveram perto de entrar no Q3. O russo surpreendeu pela positiva, mostrando-se muito competitivo, numa pista em que não é fácil estar em destaque, muito menos na primeira temporada de Fórmula 1. Melhor ainda, esteve Lance Stroll, que ficou à porte do top 10, em 11º (Sirotkin em 12º) e que, fruto da penalização atribuída a Nico Hulkenberg, partirá para a corrida de amanhã no top 10.

Também pela positiva, a prestação de Charles Leclerc no Sauber Ferrari, que lhe valeu o 14º melhor tempo e acesso ao Q2. Talvez o seu companheiro de equipa Marcus Ericsson pudesse também ter chegado ao Q2, mas o piloto queixou-se de ter sido prejudicado em pista, durante o Q1.

A McLaren apenas conseguiu colocar um carro no Q2, o de Fernando Alonso, que teve de se contentar com o 13º tempo. Ao fim de quatro etapas do campeonato, quando a equipa mudou de fornecedor de motores, teoricamente porque a Honda não estava a trabalhar com total eficiência, vai começando a pairar no ar a questão – será que o problema eram os motores? É que Stoffel Vandoorne, no outro carro da equipa, nem sequer passou do Q1.

No entanto, ao encontrarmos uma performance realmente dececionante no Qualifying para o Grande Prémio do Azerbaijão, o ‘vencedor’ tem que ser a Scuderia Toro Rosso. Brendon Hartley, a ‘braços’ com um furo no Q1, pôs-se no meio da pista, ‘a pensar na morte da bezerra’ e quando apareceu na sua traseira o companheiro de equipa, Pierre Gasly, em plena volta de qualificação, o neo-zelandês ainda se desviou para o lado errado. Não fossem os reflexos galácticos de Pierre Gasly e podíamos ter assistido a um acidente que teria tanto de horrível como de estúpido. No meio de tudo isto, ainda se fica a pensar o que estavam a fazer os engenheiros dos dois carros, que também podiam ter feito muito mais no contacto via rádio com os seus pilotos. O resultado acabou por ser, apenas, que nenhum dos carros passou do Q1.

Assim sendo, do 11º ao 20º do Qualifying ficaram: Lance Stroll (Williams Mercedes), Sergey Sirotkin (Williams Mercedes), Fernando Alonso (McLaren Renault), Charles Leclerc (Sauber Ferrari), Kevin Magnussen (Haas Ferrari), Stoffel Vandoorne (McLaren Renault), Pierre Gasly (Scuderia Toro Rosso Honda), Marcus Ericsson (Sauber Ferrari), Brendon Hartley (Scuderia Toro Rosso Honda) e Romain Grosjean (Haas Ferrari).

Texto: Jorge Cabrita  Fotos: Ferrari, Mercedes, Red Bull, Force India, Renault Sport