Numa fase de pleno crescimento para o segmento C dos SUV compactos, em que a oferta e escolha é a maior de sempre, a Citroën torna a ser irreverente na sua aposta para cativar um público jovem e pleno de dinamismo. O C3 Aircross, que aqui testámos na versão 1.6 BlueHDi, representa todo um ambiente moderno que se vive de fora para dentro. Ainda que num primeiro vislumbre nos confrontemos com uma proposta que causa estranheza, a verdade é que uma análise mais cuidada, seguida de experimentação, de imediato nos transporta para um mundo de orgulho e prazer. O Citroën C3 Aircross é, na nossa opinião, um dos mais belos e irreverentes crossover da atualidade. Mostra que ser diferente pode ser motivo de orgulho.

Obra de Arte

Esta é a melhor forma de nos expressarmos, quando queremos opinar sobre a estética deste Citroën.  A marca do ‘double chevron’ demorou para lançar a mais recente aposta no segmento mais concorrido da atualidade, mas a espera valeu a pena, pois o C3 Aircross é um autêntico hino ao design automóvel. Sim, não é preciso ser um superdesportivo, ou um cabrio espampanante, para impressionar ao olhar. Ser crossover também serve!

O Citroën C3 Aircross transpira energia imensa nas suas linhas, como se tivesse concluído uma intensa aula de fitness. Numa palavra, consideraríamos este crossover como esplendoroso. Junta linhas arredondadas de forma suave e ao mesmo tempo rudes, conseguindo extrair um dinamismo perfeito para as suas dimensões. Na frente, aposta num capot que nem é muito extenso, guardado pelas óticas diurnas de nova geração (LED), que servem de sentinela à limpa e fluida grelha frontal, com o orgulhoso ‘double chevron’ ao centro. No enorme para choques dianteiro, cabem os faróis principais e as luzes de nevoeiro, tudo nas extremidades de uma segunda grelha dianteira. Na parte inferior do para-choques está o painel de proteção, que confere caráter de aventura ‘offroad’ a esta proposta francesa.
É na secção lateral que o Citroën C3 Aircross mais se confunde com um automóvel do futuro. Sem dúvida, este crossover alia na perfeição o espaço e elegância com a capacidade de nunca deixar de inovar no estilo. As jantes são ultradinâmicas, mas aí não se trata de uma novidade. No entanto, para todo este conjunto, a escolha não poderia ser mais adequada. Mas, vale pelo estilo e também pelas dimensões, que são potenciadas ao máximo na imagem lateral deste Aircross. A forma como se junta o preto e o branco (na unidade ensaiada), acabam também por ser bastante felizes. As secções em preto correspondem às embaladeiras e exterior do habitáculo. É interessante também como olhando de perfil este crossover, percebemos como ele é fadado à família e sugere uma incursão prazerosa em fora de estrada.
Uma traseira com ‘músculo’ é bem mais que o que se poderia pedir para o exercício enérgico da imagem do Citroën C3 Aircross. Mas, até nisso a marca francesa foi feliz. Este SUV compacto consegue ser irreverente até na traseira, com para-choque a incluir um enorme painel de proteção que faz toda a diferença na intenção de dinamizar este conjunto. As óticas traseiras assumem uma postura 3D, como que rodeadas por uma maquilhagem que tem tudo a ver com este ‘estiloso’ SUV. Ainda, há que dizer que o C3 Aircross conta com um ‘enorme’ portão de mala, que sugere uma ampla bagageira.

Um Moderno Centro de Controlo

O interior do Citroën C3 Aircross consegue ser tão cativante como o exterior. Sem deixar de ser um espaço funcional para uma eficiente utilização em estrada, o habitáculo do Aircross não deixa de pretender marcar pela diferença.

Logo à primeira vista, os sorrisos são evidentes ao entrarmos para o Citroën C3 Aircross. Na unidade ensaiada, este crossover misturava na perfeição o preto com o cor de laranja, com este último a surgir quase como um ‘penetra’ num jogo de cores até aqui dominado pelo branco e preto. Mas, a escolha não podia ser mais feliz. O volante era já uma mistura de preto e laranja. Divinal, a proposta e o seu resultado, também extensível ao topo da consola central, em que os respiradores e o painel de instrumentos acabam por, no contraste, estar em total destaque. Depois, há os bancos dianteiros, que são autênticas poltronas, mas asseguram ótimo posicionamento aos utilizadores. Ainda sobre os bancos, também assumem a postura bicolor, em que se conjugam na perfeição o tecido (em cinzento) e a pele (laranja). Fruto das generosas dimensões deste crossover, com altura das melhores no segmento, os ocupantes (à frente e atrás), viajam confortáveis e nunca sequer sabem o que é claustrofobia. Convém também não esquecer o detalhe de que para o condutor, está disponível um Head Up display, que acaba por ter tudo a ver com esta proposta de futuro no presente.
A bagageira do Citroën C3 Aircross é espaçosa, dentro do que se exige num crossover de segmento C. Na sua configuração convencional garante notáveis 520 litros, podendo estes ser ‘estendidos’ até aos 1.289, no caso de rebatimento da segunda fila de bancos.

Em Estrada – O Divertimento Prossegue

Embora à primeira vista o Citroën C3 Aircross aparente ser alto e com isso um pouco sério demais em estrada, a verdade é que de sério não tem nada e de divertido, tem muito.

Ainda que um crossover de segmento C subentenda tratar-se de uma proposta para jovens e famílias de mentalidade moderna, nada impede esta nova filosofia automóvel de proporcionar divertimento em estrada. O Citroën C3 Aircross cumpre em todos estes requisitos, sendo espaçoso e confortável para curtas ou longas viagens, assegurando segurança e, sem colocar tudo isso em causa, garantindo divertimento na condução. Para o condutor, está disponível uma excelente posição de condução, que depois é corroborada por bom dinamismo no desempenho. Este crossover é extremamente equilibrado em curva, mesmo se se trata de um automóvel alto (1.756mm).
O equilíbrio é a nota dominante na dinâmica deste crossover, que faz uso de um motor diesel de 1.560cc com 100 cv obtidos às 3750 rpm e que disponibiliza 254 Nm de binário, a partir das 1750 rpm. Desenvolto em estrada, com uma caixa manual de 5 velocidades, o único defeito desta proposta está precisamente na ausência de uma sexta velocidade que, em viagens mais longas, acaba por sempre fazer falta. Não é que o dinamismo deste crossover não esteja assegurado e a sua competência sequer beliscada, mas uma sexta velocidade tornaria este conjunto ainda mais completo.
O conforto é um dos trunfos da dinâmica deste Citroen C3 Aircoss, na versão 1.6 BlueHDi. Não está à altura de alguns dos seus concorrentes, na desenvoltura dinâmica que o pudesse levemente conotar com um caráter mais desportivo, mas empresta ao utilizador um enorme bem estar ao volante. Além disso, conta também com atributos no capítulo dos consumos de combustível. A média é de 4,8 litros (embora a marca anuncie 4.0), número que ainda fará com que esta proposta diesel possa competir de forma enérgica com a opção a gasolina.

Conclusão: Um Verdadeiro Francês

Quem conhece a mentalidade francesa sabe que, defeitos à parte pois todos os temos, os naturais daquele país são gente de personalidade muito própria, muitas vezes irreverente. Assim é também o Citroën C3 Aircross.

Apostando numa imagem que não tem paralelo em qualquer outra abordagem de outra marca para o segmento dos SUV compactos, este Citroën é orgulhosamente dinâmico e de forte caráter, tendo na estética (exterior e interior) o seu maior trunfo. Depois, vale também pela funcionalidade e habitabilidade de um interior que é referencial no segmento.

Peca apenas, na unidade ensaiada, pela opção diesel que cumpre num desempenho urbano, mas se torna ultrapassada quando em viagem queremos mais alma e menos voz (a velocidades elevadas em 5ª este C3 é um pouco barulhento).

Num mundo que se quer perfeito, especialmente no segmento C dos SUV compactos, este crossover não é o principal eleito mas a sua estética deixará muita gente dividida, pois a imagem também vende e este Citroën é de facto sedutor. Custa na unidade ensaiada €20.206.

Texto: Jorge Cabrita  Fotos: José Lourenço e Jorge Cabrita