Teste Volkswagen Polo GTI DSG: Um Polo de Performance

Dentro desde Volkswagen Polo GTI está um motor 2.0 que debita 200 cv. A dinâmica é envolvente, assim como o som grave que mediante uma agressiva condução, passa depressa para agudo, como se de uma 'ouverture' de orquestra se tratasse.

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Os apaixonados da sigla GTI na Volkswagen e de uma condução com adrenalina, já não precisam de sonhar com o Golf para poderem dar azo ao seu ‘desvario’. Agora há outro ‘puro-sangue’ na família alemã. O novo Polo GTI faz jus a uma tradição em que a eficiência se quer com músculo e destreza.

Não vou esconder que, desde o anúncio da marca para o lançamento da mais musculada versão do Polo, estava curioso para ‘pôr as mãos’ neste menino de forte carácter. E, após o devolver são e salvo à SIVA, não poderia estar mais satisfeito com as sensações sentidas aos comandos de um automóvel compacto com generosos 200cv. Além de uma irrepreensível competência dinâmica, este Polo GTI ainda conta com imagem muito apelativa, onde nem sequer a opção de cinco portas vem macular a imagem de atleta. Não gostámos de tudo nesta irreverente proposta, mas na generalidade ficámos convencidos.

Indiscretamente Agressivo

Um olhar atento ao ‘look’ deste Polo e logo percebemos que se trata de um modelo especial, aliás a presença da sigla GTI retira qualquer eventual dúvida. A unidade testada em vermelho, era mesmo de imagem arrebatadora.

Se a imagem convencional da nova linha do Volkswagen Polo já tende a facilmente nos agradar, a versão GTI é mesme arrebatadora, pelas linhas de design que apresenta, de um genuíno desportivo. Na frente, sobressai a grelha dianteiia em que se insere o logo GTI, logo acima de uma subtil linha que segue a cor da unidade, no caso em vermelho. Esta linha, nasce nas óticas e acaba por envolver todo o dinamismo visual da frente. A grelha do radiador, em preto, faz um delicioso contraste com a cor dominante do carro, ajudando a reforçar o caráter em que se assume arrogância. O Volkswagen Polo GTI não é para todos, mas para os que o escolherem, será sempre a extensão de uma forte personalidade.
Lateralmente, é mais no detalhe que o Volkswagen Polo assume uma postura desportiva, nomeadamente através da utilização de uma agressivas jantes de 17″. No resto, numa qualquer fila de trânsito em hora de ponta, este desportivo passa discretamente como um utilitário, especialmente na versão de 5 portas, aquela que tivemos o privilégio de testar.
Tal como visto de perfil, o Polo GTI é um quase discreto utilitário ao olharmos detalhadamente a sua traseira. Claro, aquelas três letrinhas que definem o seu ADN, ali no portão da mala, fazem soltar aquele, “ah é um GTI” . Talvez seja uma das qualidades deste modelo, a sua capacidade para se misturar no meio da ‘multidão’ Volkswagen, apenas mostrando a sua verdadeira vocação quando provocado.

Elegante Por Dentro

Se há característica assumida pelo novo Volkswagen Polo GTI é a de ser coerente. Sendo um desportivo que não renega a descrição, exceto na frente, mantém essa mesma postura dentro de portas.

Haverá quem muito goste do interior do Volkswagen Polo GTI. Nós gostamos de algumas coisas. O ‘look’ do tablier e consola central muito nos agrada, naquela junção de preto e vermelho que já havíamos identificado no exterior. Também gostamos da forma limpa como se apresenta a consola central, praticamente ‘despida’ de comandos, exceto os do sistema de infotainment. Relativamente aos bancos, desde logo enaltecer o seu conforto e cariz desportivo, os da frente claro, que envolvem os ocupantes. Nota positiva merece também o conforto proporcionado aos ocupantes dos bancos da frente e trás, que beneficiam de espaço. Não gostámos tanto da qualidade de alguns dos materiais do tablier, em plástico, assim como e aqui fala o gosto pessoal, do padrão quadriculado presente nos assentos.
Tal como é usual nas versões desportivas GTI, a Volkswagen aposta no detalhe que marca a diferença. Em áreas várias do Polo, dentro e fora, está sempre presente a sigla GTI, como se fossemos correr o risco de esquecer que este é um automóvel com raça.
Equipamento não falta no interior deste Volkswagen Polo GTI e, quando falta há extras que se podem sempre adicionar. Mas, na unidade que testámos, eram de série: as lindíssimas jantes, Milton Keys, em liga leve e com 17″, a suspensão desportiva, o diferencial eletrónico XDS, a monitorização da pressão dos pneus, o Hill Hold Control, o sistema “Front Assist” com travagem de emergência em cidade (City Brake), os sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, a câmara traseira, a proteção pedestre proactiva, o sensor de luz e chuva, o sistema de deteção de fadiga, sistema de navegação Discover Media, o carregamento por indução, inserções decorativas Vermelho Velvet, entre outros equipamentos. Opcionais eram as luzes dianteiras em LED com ajuste dinâmico, capas dos retrovisores exteriores em Carbon, o teto de abrir panorâmico, vidros traseiros e laterais traseiros escurecidos, suspensão Sport Select, Active Info Display, bancos dianteiros aquecidos, entre outros equipamentos.

A ‘Alma’ Que Canta a 200 ‘decibeis’

Dentro deste Volkswagen Polo GTI está um motor 2.0 que debita 200 cv. A dinâmica é envolvente, assim como o som grave que mediante uma agressiva condução, passa depressa para agudo, como se de uma ‘ouverture’ de orquestra se tratasse.

Dentro deste ‘pequeno’ desportivo está um motor 2.0 TSI, capaz de debitar 200cv. A sua performance dita, por exemplo, que necessita de 6,7s para chegar dos 0 aos 100 km/h e que atinge os 237 kn/h, sendo estes últimos números impressionantes para um modelo da gama Polo. Além disso, consome em média 5,9 l/100 km, isto dito pela marca, pois nós, moderadamente não conseguimos baixar dos 6.9. Abrindo o livro dos talentos ao volante, ou ‘a goela’ ao motor, se preferirem, os consumos sobem vertiginosamente para cima dos 20 l/100 km.

Em Estrada – Até Criamos Curvas no Imaginário

Este modelo bem pode servir para ‘abrirmos o apetite e apurarmos a nossa condução’, para numa fase seguinte passarmos para o outro GTI, o Golf.

Sendo o mais objetivo e sincero possível, depois de largos quilómetros aos comandos deste ‘boy in red’, é muito difícil não nos deixarmos envolver pelos seus atributos. Poderoso pela performance, este Polo GTI guia-se como quisermos. Se o quisermos tratar como um utilitário, é suave, progressivo, económico até e encanta-nos pelo som grave do torque de um dos melhores motores da Volkswagen. Por outro lado, se nos deixarmos cativar pelo constante convite ao devaneio inteiramente assumido por este GTI com sangue na guelra, então passamos para uma outra dimensão, de prazer, emoções fortes e adrenalina. O binário (320Nm) deste motor de dois litros é constante entre as 1500 e as 4400 rpm, o que quer dizer que ‘pega’ bem cedo e nos dá desempenho praticamente em toda a sua extensão de desenvolvimento de potência. Com isto e especialmente em estradas sinuosas, podemos praticamente fazer o que quisermos e soubermos, sem correr o risco de entregar o carro, neste caso à SIVA, num reboque. O prazer de condução é total, ou não fosse este modelo utilizador da magnífica caixa DSG, de 6 velocidades, que especialmente usada no modo Sport, nos deixa totalmente entregues à condução, com as mudanças a entrarem e saírem de forma automática. No entanto, nós nunca abdicámos de fazer isso, mas em modo sequencial. Podemos ainda usar estra transmissão nos modos Normal, Eco e Individual. Rápido a reagir, eficiente a curvar e a travar, apenas achámos que este GTI poderia ser mais rijo na suspensão, que muitas vezes adornou demasiado, pelo menos para o nosso gosto. De qualquer forma, esse ‘preciosismo’ em quase nada belisca o desempenho saudável e puro que este pequeno desportivo nos entrega de forma obediente.

Texto: Jorge Cabrita  Fotos: José Lourenço, Jorge Cabrita e Volkswagen